Disfagia: o que é, sintomas, causas e quando buscar ajuda

A disfagia é o termo médico utilizado para descrever a dificuldade para engolir alimentos, líquidos ou até a própria saliva. Em algumas situações, essa dificuldade pode causar dor e, em casos mais graves, a deglutição pode se tornar quase impossível.

É importante diferenciar episódios ocasionais — como engolir rápido demais ou não mastigar bem os alimentos — de um problema persistente. Quando a dificuldade para engolir se torna frequente, a disfagia deixa de ser algo pontual e passa a ser um sinal de alerta, que merece atenção e acompanhamento adequado.

Embora a disfagia possa acontecer em qualquer idade, ela é mais comum em idosos e em pessoas com condições neurológicas, como a paralisia cerebral. As causas são variadas, e o tratamento depende diretamente da origem do problema.


Principais sintomas da disfagia

Os sintomas da disfagia podem variar de pessoa para pessoa, mas alguns sinais são bastante comuns e merecem atenção no dia a dia:

  • Dor ao engolir alimentos ou líquidos
  • Sensação de que o alimento fica parado na garganta ou no peito
  • Dificuldade ou incapacidade de engolir
  • Salivação excessiva ou baba frequente
  • Rouquidão constante
  • Retorno do alimento à boca (regurgitação)
  • Azia frequente
  • Sensação de alimento ou ácido subindo pela garganta
  • Perda de peso sem explicação aparente
  • Tosse, engasgos ou ânsia ao engolir

Esses sinais podem surgir de forma gradual ou repentina. Em crianças com paralisia cerebral, por exemplo, eles costumam fazer parte da rotina alimentar e exigem adaptações constantes.


Quando procurar um profissional de saúde

É fundamental procurar ajuda médica ou multiprofissional se a dificuldade para engolir acontece com frequência, especialmente quando vem acompanhada de:

  • Perda de peso
  • Vômitos frequentes
  • Regurgitação constante
  • Engasgos repetidos

⚠️ Atenção:
Se houver sensação de alimento totalmente preso na garganta ou dificuldade para respirar, é uma emergência. Nesse caso, procure atendimento imediato.


Por que a disfagia acontece?

Engolir é um processo muito mais complexo do que parece. Ele envolve músculos, nervos e reflexos trabalhando em perfeita sincronia. Qualquer alteração nesse sistema pode causar disfagia.

De forma geral, a disfagia é dividida em dois grandes tipos:


Disfagia esofágica

A disfagia esofágica ocorre quando a pessoa sente que o alimento fica preso após iniciar a deglutição, geralmente na região do peito ou na base da garganta.

Algumas causas comuns incluem:

▪️ Acalasia

Uma condição em que os músculos do esôfago não conseguem empurrar corretamente o alimento até o estômago. Com o tempo, tende a piorar.

▪️ Espasmo esofágico

Contrações descoordenadas e muito fortes do esôfago, que dificultam a passagem do alimento.

▪️ Estreitamento do esôfago (estenose)

Pode ser causado por cicatrizes, refluxo gastroesofágico ou tumores, dificultando a passagem de alimentos mais sólidos.

▪️ Tumores no esôfago

A dificuldade para engolir costuma piorar progressivamente à medida que o tumor cresce.

▪️ Alimentos presos ou corpos estranhos

Mais comum em idosos, pessoas com próteses dentárias ou dificuldade de mastigação.

▪️ Anel esofágico

Um estreitamento em forma de anel que dificulta principalmente a ingestão de alimentos sólidos.

▪️ Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE)

O retorno frequente do ácido do estômago pode causar inflamação, cicatrizes e estreitamento do esôfago.

▪️ Esofagite eosinofílica

Uma condição imunológica em que células inflamatórias se acumulam no esôfago.

▪️ Esclerodermia

Doença que causa rigidez dos tecidos, afetando o funcionamento do esôfago.

▪️ Radioterapia

Pode provocar inflamação e cicatrização do esôfago, dificultando a deglutição.


Disfagia orofaríngea

A disfagia orofaríngea acontece quando há dificuldade em levar o alimento da boca até a garganta e o esôfago. Nesses casos, é comum:

  • Engasgar com facilidade
  • Tossir ao engolir
  • Sensação de que o alimento “vai para o lugar errado”
  • Saída de alimento pelo nariz

Esse tipo de disfagia aumenta o risco de aspiração, podendo levar a pneumonias recorrentes.

Principais causas:

  • Doenças neurológicas (paralisia cerebral, Parkinson, esclerose múltipla, distrofias musculares)
  • AVC (derrame)
  • Lesões cerebrais ou da medula
  • Divertículo de Zenker (bolsa que acumula alimentos na garganta)
  • Câncer e tratamentos oncológicos

Em muitos casos, adaptar a textura dos alimentos é essencial. Veja aqui como engrossar alimentos líquidos de forma segura.


Fatores de risco para disfagia

Alguns fatores aumentam as chances de desenvolver disfagia:

  • Envelhecimento
  • Doenças neurológicas
  • Alterações musculares
  • Histórico de AVC
  • Refluxo gastroesofágico crônico

Importante lembrar: disfagia não é uma consequência normal do envelhecimento, apesar de ser mais comum nessa fase da vida.


Possíveis complicações da disfagia

Quando não identificada ou manejada corretamente, a disfagia pode causar complicações sérias, como:

  • Desnutrição
  • Perda de peso
  • Desidratação
  • Pneumonia aspirativa (quando alimento ou líquido vai para os pulmões)
  • Engasgos graves e risco de asfixia

Por isso, a adaptação da alimentação e o acompanhamento profissional são tão importantes.


É possível prevenir a disfagia?

Nem todos os casos podem ser prevenidos, mas algumas atitudes ajudam a reduzir riscos:

  • Comer devagar
  • Mastigar bem os alimentos
  • Adaptar a textura dos alimentos conforme a necessidade
  • Tratar corretamente o refluxo gastroesofágico
  • Buscar avaliação profissional ao perceber sinais persistentes

Conclusão

Falar sobre disfagia é falar sobre cuidado, atenção e qualidade de vida. Embora muitas vezes silenciosa, essa condição impacta profundamente o dia a dia de quem convive com ela — seja a própria pessoa ou quem cuida. A dificuldade para engolir não envolve apenas o ato de se alimentar, mas também aspectos emocionais, sociais e nutricionais que merecem respeito e compreensão.

Ao longo deste conteúdo, vimos que a disfagia pode ter diversas causas, especialmente em condições neurológicas como a paralisia cerebral, e que seus sintomas nem sempre são óbvios no início. Engasgos frequentes, tosse durante as refeições, perda de peso e cansaço ao comer são sinais que não devem ser ignorados. Quanto mais cedo a disfagia é identificada, maiores são as chances de adaptação segura e de prevenção de complicações graves, como a desnutrição e a pneumonia aspirativa.

Também ficou claro que não existe uma solução única. Cada pessoa apresenta necessidades diferentes, e por isso o acompanhamento multiprofissional — envolvendo médicos, fonoaudiólogos, nutricionistas e terapeutas — é fundamental. Ajustar a textura dos alimentos, respeitar o ritmo individual, observar posturas adequadas e criar uma rotina alimentar segura fazem toda a diferença no longo prazo.

Mais do que técnicas e orientações, é essencial reforçar que lidar com a disfagia exige paciência, empatia e informação de qualidade. Pequenas adaptações diárias podem transformar a alimentação em um momento mais tranquilo, seguro e até prazeroso. E isso é possível, mesmo diante dos desafios.

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