Muitos pais observam seus filhos e percebem algo curioso:
a criança parece entender tudo o que acontece ao redor, mas fala pouco ou quase nada.
Esse cenário é mais comum do que se imagina e costuma gerar dúvidas, ansiedade e comparações com outras crianças.
Mas existe um ponto importante que merece destaque:
O desenvolvimento da comunicação infantil não acontece apenas em terapias ou na escola. Grande parte dele é construída nas interações simples da rotina diária.
A forma como o adulto fala, responde, espera e interage tem impacto direto no desenvolvimento da linguagem.
A boa notícia é que pequenas atitudes, feitas de forma consistente, podem favorecer muito a comunicação da criança.
Comunicação vai além da fala
Quando se fala em comunicação infantil, muitas pessoas pensam apenas em palavras.
Mas a comunicação é muito mais ampla.
Uma criança está se comunicando quando:
- aponta para o que deseja
- olha para um objeto ou pessoa
- puxa o adulto pela mão
- faz sons ou vocalizações
- usa expressões faciais
- leva o adulto até o que quer
- utiliza figuras ou imagens
- reage ao que é dito
Esses comportamentos fazem parte da comunicação não verbal e são fundamentais no processo de desenvolvimento da linguagem infantil.
Antes da fala se consolidar, a criança aprende que pode se comunicar de várias formas.
Quando os pais reconhecem essas tentativas, a criança se sente compreendida e tende a se comunicar mais.
O papel da rotina no desenvolvimento da comunicação
A rotina é previsível.
E a previsibilidade ajuda a criança a compreender o mundo.
Momentos comuns do dia oferecem inúmeras oportunidades de estimular a comunicação:
- hora do banho
- hora da alimentação
- hora de vestir a roupa
- hora de brincar
- hora de dormir
Não é necessário criar um “momento de treino”.
A estimulação pode acontecer dentro da vida real.
A criança aprende melhor quando a comunicação tem sentido e função.
Como estimular a comunicação infantil no dia a dia
A seguir estão estratégias práticas que podem ser aplicadas em casa de forma natural.
1. Narrar o que está acontecendo
Muitos adultos realizam tarefas em silêncio.
Mas narrar ações ajuda a criança a associar palavras a experiências.
Exemplos:
“Vamos colocar o sapato.”
“Agora estamos abrindo a geladeira.”
“Vou cortar a banana.”
“Estamos lavando as mãos.”
Essa prática amplia o vocabulário infantil e fortalece a compreensão da linguagem.
Não é necessário falar o tempo todo, mas incluir palavras na rotina faz diferença.
2. Dar tempo para a criança responder
A pressa do dia a dia pode atrapalhar a comunicação.
Muitas vezes o adulto pergunta e já responde pela criança ou resolve tudo rapidamente.
Dar alguns segundos de espera permite que a criança tente:
- olhar
- apontar
- vocalizar
- reagir
- gesticular
Esse tempo de processamento é essencial no desenvolvimento da fala e linguagem.
3. Oferecer escolhas
Oferecer escolhas cria oportunidades reais de comunicação.
Em vez de perguntar algo muito aberto como “O que você quer?”, prefira opções concretas:
“Você quer maçã ou banana?”
“Quer água ou suco?”
“Quer a bola ou o carrinho?”
Mesmo que a criança apenas aponte ou olhe, ela já está se comunicando.
Isso fortalece a intenção comunicativa.
4. Valorizar todas as tentativas de comunicação
Quando a criança tenta se comunicar, é importante mostrar que foi compreendida.
Se ela aponta para o copo, o adulto pode responder:
“Você quer água. Água.”
Assim, a criança aprende que sua comunicação tem efeito.
Quando a comunicação funciona, a tendência é que ela tente novamente.
Esse é um princípio essencial na estimulação da linguagem infantil.
5. Utilizar apoio visual
Muitas crianças compreendem melhor com apoio visual.
Mostrar o objeto ao falar sobre ele facilita a associação entre palavra e significado.
Exemplos:
- mostrar o copo ao falar de beber
- mostrar a roupa ao falar de vestir
- mostrar o brinquedo ao falar de brincar
O apoio visual é especialmente útil para crianças com atraso de fala, dificuldades de linguagem ou crianças não verbais.
6. Criar oportunidades de comunicação nas brincadeiras
A brincadeira é um dos contextos mais ricos para o desenvolvimento da linguagem.
Durante a brincadeira, é possível criar pausas estratégicas.
Exemplo com bolhas de sabão:
O adulto faz algumas bolhas e para.
Aguarda a reação da criança.
Ela pode:
- olhar para o adulto
- tentar pegar o pote
- vocalizar
- pedir mais à sua maneira
Essas pausas incentivam a criança a iniciar comunicação.
O que pode atrapalhar a comunicação infantil
Algumas atitudes comuns podem reduzir oportunidades de comunicação:
- antecipar tudo o que a criança quer
- oferecer muitos estímulos ao mesmo tempo
- usar telas em excesso
- falar rápido demais
- não dar tempo de resposta
A comunicação precisa de espaço, tempo e interação real.
Um lembrete importante aos pais
Não é necessário aplicar todas as estratégias de forma perfeita.
O mais importante é:
- estar presente
- observar a criança
- responder às tentativas de comunicação
- criar conexão
O desenvolvimento infantil não é uma corrida.
Cada criança tem seu ritmo.
Comparações podem gerar ansiedade desnecessária.
O progresso acontece passo a passo.
Quando buscar ajuda profissional
Se houver dúvidas sobre o desenvolvimento da fala, é importante buscar orientação de um fonoaudiólogo ou profissional do desenvolvimento infantil.
Alguns sinais que merecem atenção:
- pouca resposta ao nome
- ausência de gestos comunicativos
- pouca interação
- regressão na fala
- dificuldade de compreensão
A orientação correta pode trazer segurança à família.
Comunicação é conexão
A comunicação começa muito antes das palavras.
Ela envolve conexão, troca e intenção.
A criança precisa sentir que é ouvida, compreendida e respeitada em suas tentativas.
A fala pode surgir no tempo dela.
Mas a comunicação pode ser estimulada desde já.
Nas interações simples.
Na rotina diária.
Na relação com o adulto.
Esses pequenos momentos constroem grandes avanços no desenvolvimento da linguagem infantil.
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